Sábado, 3 de Setembro de 2011

Um leão bipolar

 

Até à pouco tempo viviam-se tempos de optimismo e euforia em redor da equipa de futebol que se ia formando no Sporting Clube de Portugal. Após uma péssima época  a nível desportivo e umas atribuladas eleições presidenciais, os aficionados leoninos compreenderam que era preciso juntar as tropas e só desta forma, apoiando toda a estrutura do clube, é que seria possível enfrentar Porto e Benfica.

 

Criou-se então uma onda de apoio à nova direcção liderada por Godinho Lopes e também ao novo Departamento de Futebol. Inicialmente os sinais foram bons, Domingos era acarinhado, as contratações aprovadas pela maioria e as primeiras vitórias na pré época deixavam água na boca dos adeptos.

 

Porém tudo começou a mudar no dia 30 de Julho, no dia em que Alvalade recebeu o jogo de apresentação com o Valência. O estádio encheu, as expectativas eram enormes mas no primeiro teste frente aos adeptos a equipa falhou. A derrota foi clara (0-3) e desde aí a equipa nunca mais recuperou a confiança.

 

Seguiu-se uma má prestação no Troféu Ramón Carranza e antes do inicio do campeonato o clima já era  de desconfiança.

 

A politica de contratações era posta em causa e os mal-amados como Polga, Yannick, Evaldo e Postiga voltavam a ser criticados.

 

Volvido que está agora quase um mês de competição, ou seja, três jornadas da Liga e uma pré eliminatória da Liga Europa, a crise está instalada.

 

O Sporting ainda não venceu no campeonato e o apuramento para a Liga Europa frente a uma modesta equipa dinamarquesa foi sofrível.

 

Os adeptos sportinguistas têm toda a razão para estar insatisfeitos mas a meu ver estão a centrar-se na pior das razões para este mau arranque, as arbitragens.

 

É justo esclarecer que na primeira jornada  existem razões de queixa mas nas duas últimas nem por isso. Em Aveiro o jogo dirigido por um árbitro de escalões inferiores não teve nenhum caso e na derrota com o Marítimo os erros da equipa foram por demais evidentes e por isso é despropositado submeter as culpas do desaire para a má actuação de Pedro Proença e seus auxiliares.

 

Numa partida em que o Sporting por sinal também foi beneficiado, concretamente no segundo golo, tento que precede de uma falta inexistente.

 

De seguida proponho traçar seis factores que poderão ajudar a explicar esta crise leonina.

 

Trata-se de uma mera visão de um adepto de futebol e por isso vale o que vale.

 

Os seis factores são:

 

1- Dupla de centrais

 

 

Era consensual que o Sporting tinha um problema quanto à dupla de defesas centrais e em resposta a esse problema chegaram Rodriguez e Onyewu. Duas boas apostas mas que entraram com o pé esquerdo em Alvalade.

 

O peruano é titular em circunstancias normais, apenas os problemas físicos lhe retiraram esse estatuto neste inicio e o norte americano parece com dificuldades em convencer Domingos Paciência. Com a lesão de Rodriguez ficou mais uma vez notório as debilidades que aprensenta a dupla Polga/Carriço.

 

Acredito que a melhor dupla será mesmo Rodriguez e Onyewu, compreendo que o ex-jogador do Twente ainda não esteja adaptado mas será necessário dar-lhe minutos para resolver essa questão.

 

Além disso existe um défice no jogo aéreo desde da saída de Tonel e o gigante Oguchi Onyewu será a solução obvia para colmatar esse problema, um problema não só de altura mas também de agressividade na disputa de bolas por alto. A derrota com o Maritimo deveu-se muito a este aspecto.

 

2- Ausência de um avançado goleador

 


 

Os adeptos assistiram à saída de Liedson em lágrimas e esse gesto é agora ainda mais compreensível. Ter à disposição avançados que produzem  5 a 10 golos por época não é suficiente para um clube com os objectivos do Sporting

 

Os pontas de lança contratados esta época foram Bojinov, Wolfswinkel e Rubio mas estes jogadores são uma incógnita.

 

O búlgaro tem sido fustigado por lesões nas últimas épocas, o jovem holandês chega com um bom rácio de golos mas é importante sublinhar que provém de um clube médio da liga holandesa e o chileno é um jogador ainda por lapidar mas que a meu ver merece mais oportunidades.

 

Domingos tem optado pela prata da casa (Postiga) e a seca perdura. Fez sobretudo confusão não apostar mais na dupla  Postiga e Wolfswinkel,

solução que resultou durante a pré época e que em Aveiro criou perigo efectivo.

 

Aqui está uma das grandes razões para o insucesso sportinguista, a dependência por Liedson era um problemas mas agora existe um ainda maior.

 

A solução contudo poderia residir em outro jogador do plantel. Os golos não são de inteira responsabilidade dos pontas de lança contudo olhando atentamente para o plantel leonino não vislumbro qualquer  elemento nos outros sectores  com especial apetência para o golo.

 

Acrescente-se por fim a venda de Postiga e o futuro apresenta-se ainda mais negro.

 

 

3- Meio campo e construção de jogo (Play-maker)

 

 

Não gostaria de voltar a mencionar jogadores  do passado do clube mas inevitavelmente terei de falar em Moutinho neste capitulo. Na época passada era confrangedor ver o meio campo do Sporting, não existia quem definisse os ritmos de jogo e tudo saía de improviso e geralmente mal.

 

Moutinho tinha e tem essa capacidade de definir o ritmo e desde da sua saída que ninguém se implementou no seu lugar.

 

Este ano chegaram Schaars e Rinaudo, recuperou-se Izmailov e mais recentemente também chegou o brasileiro Elias.

 

Existe potencial para constituir um bom meio campo mas para tal é primordial definir quem organiza , onde organiza e como organiza.

 

Schaars tem essa capacidade numa primeira fase e Izmailov e Matias também o têm numa zona mais adiantada. A meu ver é a Izmailov e Matias que devem ser atribuídas essas responsabilidades.

 

Matias esta época tem de se constituir como uma opção mais fiável e que assuma maior protagonismo na manobra atacante da equipa, senão o for arrisco que passará muito tempo no banco.

 

Quanto a Izmailov tem sido o melhor do Sporting  e deverá ser considerado neste momento como uma unidade nuclear da equipa.

 

Com a chegada de Elias, Domingos aumenta as suas opções mas é fundamental definir quanto antes como será organizado o jogo atacante da equipa. Até ao momento a equipa não tem construído de forma clara e não se acredite que os constantes raides de Capel resolvem o problema.

 

Nota também para a saída de Jaime Valdés. Um dos melhores no ano transacto e que na minha perspectiva devia ter permanecido.

 

4- Estado emocional de Domingos

 

Sporting-Marítimo (LUSA/Miguel A. Lopes)

 

Outro factor que me chamou a tenção foi o ar apreensivo e nervoso com que o treinador do Sporting se apresentou durante os jogos. Este sentimento de intranquilidade que Domingos transmite certamente não ajuda os jogadores. Sabe-se a pressão a que este está sujeito mas o treinador deve acima de tudo proteger a sua equipa e serená-la nos momentos mais complicados.

 

Por outro lado acho injusto alguns julgamentos  que fizeram ao trabalho de Domingos . A construção de uma equipa exige tempo e Domingos ainda não dispôs dele.

 

5- Modelo de jogo pouco definido

 

Mais importante que o sistema em que a equipa actua , é o modelo de jogo que a equipa apresenta, ou seja os princípios de jogo pelo qual a equipa se rege. Vendo o Porto e o Benfica a jogar é fácil desmitificar quais os seus princípios mas vendo o Sporting nem por isso. Paulo Sérgio não o conseguiu e até agora Domingos também não.

 

Porém esta situação entende-se, Domingos ainda não teve o tempo necessário e a chegada de jogadores a conta gotas também não ajuda. Este será provavelmente o seu principal desafio.

 

O modelo de jogo que Domingos implementou no Braga não resultará em Alvalade, o Braga era uma equipa sobretudo reactiva e na maioria dos jogos o Sporting terá que comandar as operações. Será importante que se consiga o mais depressa possível e neste processo os adeptos têm um papel importante, com isto refiro-me a valores como a condescendência e a paciência.

 

6- Ausência de um jogador com capacidade de liderança

 


O último prende-se com o facto de não existir um jogador que se sobressaia como líder dentro das quatro linhas.

A tal voz de comando, a prolongação do treinador em campo e a presença desse tipo de jogador também é importante quando os resultados não aparecem. O mais próximo desse perfil de líder seria Polga, e acredito mesmo que possa ter esse papel mas mais dentro do balneário que dentro do próprio campo.

 

 

Volto a realçar que esta posição de treinador de bancada é bastante confortável e é preciso ressalvar que nem tudo é tão simples como à primeira vista parece.

 

No entanto olhando externamente, não faz qualquer sentido vender dois jogadores no último dia proposto para transferências , jogadores que até aqui eram titulares.

 

Será por tanto possível que até ao dia 30 de Agosto Yannick e Postiga fossem peças fundamentais do puzzle e que no dia a seguir já fossem perfeitamente descartáveis.. Será isto coerente? Será isto sensato?

 

Tudo aponta que não e nesse sentido deduzo que o planeamento desta época foi mal realizado.

 

Na perspectiva dos adeptos num dia Domingos é o homem certo para o cargo, no outro dia já não o é. Na perspectiva do departamento de futebol num dia Postiga e Yannick são titulares, no outro dia já são cartas fora do baralho.

 

Analisando de forma fria a atitude dos seus funcionários e adeptos é caso para dizer que estamos perante um leão bipolar.

 

 

 

 

publicado por A.S às 03:29
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